Espinha


A limpo, 
tudo apagado, as memorias, fatos
Mais uma vez essa morte de coisas e eventos.
Mais uma vez esquece as roupas 
Dança nua ao vento
enquanto perco versos
pico o cérebro em sopa
uma colher de chá
Novas ervas ebulidas.
Cheia de novas, cheia de poças.
A limpo
folha de caderno molhada
Tinta da caneta que espalha os dias

Calçada
Todas as listas de prioridades
Para nada
Espinha
Que não ereta, enverga e finca
No paladar
O que não degusta arde
no coração
O que não é sangue é arte.

Fran Flor agostos

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