Dos pássaros, passado e passarinhos.

Passaram 20 revoadas de pássaros 

E 19 revoadas de pardais antes 

Para eu entender que os pássaros são lindos mas passam.


A minha história está aqui 

Em cada sabor de sal da minha pele 

Que chora, sangra e muda.

Corta, cresce 

E se cura


A pele por fora para o que há dentro

Eu dentro, 

Não percebi, que doía onde não 

Que lamentava por onde não 


Por fora minhas palavras construíram pontes

Foram 20 revoadas de pássaros 

Para eu aprender a apreciar as paisagens em volta da ponte. 


A cabeça levantada a força toda 

Não me foi tempo suficiente para ver em torno da ponte.

Tem paisagem sim

Tem pôr do sol 

Gramados verdes e florestas. 


Tanto tempo com a cabeça só erguida 

E o corpo cansado pela rigidez. 

E adquiri uma miopia 

Umas dores pelo todo. 


Um tempo tanto sem entender 

Que o amar estava aqui 

O tempo todo 


Nos pés que atravessam 

Só nos pés que carregam 


O Amar está no sangue, no gosto salgado da minha pele 

E das lágrimas 

Elas sim,  

Rios em momentos e outros cachoeiras. 

Passando. 


Sou a ponte e sou quem aprendeu enxergar a passagem.

Me permito mais,  

Ser quem eu quiser nas paisagens. 

Meus rios 

Quando cachoeiras.


Fran Flor - viva em 2021

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