Aquela Augusta

Todos os dias
a casa é a mesma e quadrada.
Pela manhã,
somos mesmo, aqueles que sonharam.
Nas manhãs,
a mãe acorda o filho, alimenta-o despede se.
As TVs são ligadas.

Mas lá não.
Lá naquela rua as manhãs nunca chegam.
Os sorrisos são duros colados no rosto, como que com fitas
ou grampos.
Naquela rua eu penso mesmo já ter encontrado todos os amigos eternos de infância.
Os rostos que desbotam com o chegar do Sol.
Todos são artistas, interessantes bons amantes.
Profundidade de pires.
Eu posso ver o fundo e ele é branco.
Naquela rua, não vejo seu sorriso
ele para mim é arisco.
Cuidados que não me tens.
A porta de vidro fechada, e por ela um último semblante.

Voltamos a cambalear perdidos.
Aquela rua,
mosaica curva de espíritos.
Onde deixas os sapatos.
E me entregou ao peito de um travesti despido.
Naquela rua
já me tornei personagem.
Diluída a vida,
em dias copos de pinga
em outros qualquer bebida.

Depois voltar a casa. .
Quadrada, colchão e nada.
Flores de plástico,
paredes adornadas com sangue.
Pesados sonos sem sonhos

Coração, ar, o corpo virando líquido.
As palavras de amor evaporam.
As palavras em rimas são os gritos.

Julho 2013 


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