Piatã – 2ª PARTE – A mulher a espera.
Nas ultimas noites passo o tempo
teando, finas rendas apenas com os dedos, são quentes as noites mesmo quando
faz frio são quentes minhas noites.
A fome é grande e aguardo você
voltar da pesca, a fome não é de peixe.
Essa noite está especialmente confusa, te sinto me
pedindo para busca-lo na rua mas sei que está no mar e rezo a ele que não faça
nada a você, rezo em segredo que você volte menos angustiado para cuidar do
jardim que morreu sem seus cuidados.
Meu coração permanece, as vezes
resiste mais com o tempo, vai se enterrando na areia, não durmo para não sonhar
com sua ultima imagem, me dizendo adeus sua voz que mentia para seus olhos
tristes.
Esse vinho só resolve a sede, mas
a fome é grande, a fome não é de peixe onde está que não retorna com a pesca? É
só o que penso, quando você me alimenta com seus carinhos e histórias.
Não importa pela manhã vou me
banhar no mar como faço todos os dias, me distraio teando colhendo conchas para
nada, evito as canções do poeta triste que me fazem lembrar você, mas ainda
sorrio e danço a tua espera.
Guardo esse segredo só nosso, sei que a espera não é só
minha.
Queria te contar que cercaram a casa, enquanto eu estava
aqui a sua espera e está tudo diferente, o tempo começou a não me fazer sentido.
Quando canso saio escondida disfarçada pela rua do amor,
bebo e amo, até chegar ao coma. Minto e engano os rapazes, nenhum tem o seu
segredo, nenhum entende a minha espera.
A música que você toca.
A mesma que você faz questão de não tocar mais. Então me
lembro, que só eu sei tocar a música do seu corpo! Arrependa-se e volte!
O Mar não pode te
amar mais do que eu ...você não pode amar o mar mais que sua vida ..
Sua vida, que quando partiu disse-me que também deixaria.
São meus delírios enquanto as grades só crescem em volta da
casa, as flores morreram o portão não me deixa mais ver a praia.
Me canso, das conchas
do tear, dos rapazes do vinho ... não me canso de esperar.
Hoje de manhã vieram me dizer, que viram ti, embriagado
falando sozinho pela rua das prostitutas, não acreditei, nervosa voltei a tear
até machucar meus dedos.
Você ainda volta, com a pesca eu sei.
Para matar nossa fome que não é de peixe.
E não verdade, quando me dizem que você anda por ai a gritar
e conversar com uma mulher que não existe, não é verdade quando bem cedo me
disseram ter encontrado seu barco ... quebrado.
E que o mar o havia levado, naquela noite que pensei que me
chamava. Bem naquela noite que a maré estava arredia.
Você não desistiu Piatã, você volta para matar minha fome ou
me levar dessa vida.
Fim
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