Piatã - 1ª parte
Piatã – 1ª PARTE – CONHECENDO A MUSA
Encontrou o caído, balbuciando sílabas, os olhos
imploravam atenção olhavam para ela como se não houvesse mais nada nessa vida
de realmente claro ou bom, ou sincero ou bonito, perdera o gosto e a esperança.
Não entendia como havia chego ali, como havia
conseguido e porque ?
Pensou, cantou, dançou cabaleante de felicidade e foi
deitar em seu colo.
Ela disse:
Essa sua febre é a mesma que me acomete a anos.
Que me deixa de cama vezes me faz delirar e provocar
delírios, mas eu sei o remédio. Busco, faço, rascunho, componho todos os dias
para não enlouquecer.
A febre me engana de as vezes não querer mais estar
viva.
Mas insisto.
Como a flor depois que deixa de ser fruto, ou o fruto
que se torna flor.
Sei como funciona jogar moedas no poço dos desejos, e
entender q elas ficarão no fundo e os desejos mudam.
Na marra o destino nos enfrenta, temos sempre a opção
da verdade, a dúvida da querência, e a realidade acontece não é prevista.
Prefiro sempre a coragem, escolhi fui acometida.
Uma arrogância dos igorantes guiados pelo que parece
ser o caminho ... Para mim direito.
Aos outro ah os outros que se fodam.
O meu caminho é o da coragem dos palhaços
...imperfeitos.
Aquela hora da madrugada ele sonhava, sonhava e
começou a falar.
Suas palavras saiam mais rápidas e focadas apesar de
bêbadas.
Ele susurrou em seu ouvido, palavras embaralhadas
confusos fonemas.
Susurrou seu nome e perguntou porque seus olhos tinham
um brilho de futuro.
- Eu acho que já te amo – ele disse
- É porque Deus está nos vendo. Ela respondeu.
- E porque te acho um oceano....
Ele chorou.
Quis machucá-la.
Saiu perdido e delirante, parando a todos na rua.
Voltou cansado, rôto, bêbado ... acordou-a novamente e disse:
- Várias vezes estive
no escuro, sozinho, em volta só via água e o céu e nenhum som e muito vento. Permaneci
segurando as velas, por amar o mar, por esperar tudo dele.
O mar me trazia
sustento, mas me levava as sentidos e a sanidade.Pq por várias vezes me
aprofundei em pensamentos até não conseguir mais nadar, esperei morrer aos poucos
no meio de suas águas. Mas o bendito, com ondas jogava meu corpo cansado na
praia, e qdo achava que findaria minha dor, acordava tomado de areia.
Sem barco, sem rede
sem peixes sem eu.
Eram assim meus
sonhos. Meus dias confusos com noites, e as
incontáveis físsuras que abriam
em meus pés sempre descalsos.
E eu nunca fui muito
bom, de pesca, nem de nado e muito menos de equilíbrio.
Sempre fui bom
mesmo...
É de gritos!
Bom de sonhos, bom
com as mãos, bom de gemidos.
E não sei lidar com o
medo de verdade.
Ela o abraçou.
Ele gritou:
- Você me dá medo ! Parece tão forte ....
Encarando-o respondeu:
Tenho ventre de índia que acolhe as almas dessa terra,
e meu canto é como de sereia para os pescadores perdidos.
Danço, feito bailarina de circo. Vestida com colant
colorido, sob as lonas furadas, e com os bichos tristes.
Quem se sou eu se sua musa ébria ... Cabaleante.
Entendo seu medo, do já conhecido, explorado e
vencido.
Mas venho te oferecer o novo e libertar te do vazio.
Piatã dormiu encantado, não sabia onde estava, não
sabia de mais ninguém ou quem o esperava. Sempre achou que não estava por muito
tempo em nenhum lugar, e agora aquela lucidez estranha, desejou não acordar
nunca mais.
Desejou parar e matar sua musa lúcida.
Mas lembrou que também nunca foi bom com morte e
desejou a apenas para si. A musa e e novamente não estar vivo.
Fim
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